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Trajetória
Tudo acaba, mas as suas atitudes podem ser lembradas por uma eternidade, ou não, mas o importante é acreditar enquanto se vive esse agora de sonhos e realizações.
Quanto tinha 18 anos iniciei minha trajetória profissional em uma agência de navegação, depois obviamente de ser engraxate, pintor de faixas, garoto de recado, coroinha, etc. Nesta época ouvi a frase que a saúde vem em primeiro lugar: você morre e a empresa fica, coisas assim. A partir daí fiquei preocupado, já pensou se morro ou se fico doente e não fiz nada ainda, então comecei a procurar um emprego melhor, entrei na faculdade e fui conseguindo aos poucos como todo mundo, triste daquele que pensa que só ele tem história para contar.
Novos empregos, novas faculdades, novas perspectivas, foi boa a caminhada, troquei de profissão, voltei para a profissão, ensinei e fui ensinado, mas sem nunca perder a vontade de viver. Trabalhei em industria, no órgão público e até para mim mesmo, tudo isso fez com que pude plantar alternativas e rotas de fuga, sempre fui muito crítico e isso me fazia contrário as situações impostas, nunca fui de voar em formação, mas agradeço aos meus opositores não conseguir acabar comigo, alguns até teve pena de mim e outros simplesmente foram derrotados ou desistiram.
Mas o que quero dizer é que não estou contando minha história, senão entraria em detalhes e “dava nome aos bois”, estou apenas mostrando como uma pessoa pode criar muitas alternativas para sua vida e sempre contar com algo de útil no final, quando as coisas não forem favoráveis, teve uma vez que fui demitido com 19 anos de empresa, casado e com filhos para sustentar, voltei sem chão e fiz questão de vir a pé para pensar no tamanho do buraco, conversei com Deus e ele me disse: “Continua.”, e eu disse só isso? e ele me respondeu: “Continua.”. e eu continuei, desci alguns andares e recomecei, naquela época assim como hoje, não era nada fácil.
Não era fácil mas não era impossível. Se eu disser que no pior momento da minha vida eu sobrevivi ensinando não estou mentindo, onde lecionava ensinar era como não ter vencido na profissão, mas tinha o respeito de ser um professor. E aquilo me deu forças para continuar e continuar. Fui recompondo as partes e voltando a realizar, até que o continuar me fez entender que cada tijolo edifica um castelo inteiro.
E lembrando o que ouvia quando tinha 18 anos que “você ia e empresa ficava”, as empresas se foram e eu fiquei, uma foi vendida por uma bagatela, mudou de nome e fechou a coligada, aquela que me demitiu, a prefeitura fechou a escola e eu apaguei a luz, ainda bem que trabalhava para a prefeitura, essa é difícil fechar, ainda bem.
Hoje sinto que vivo sem a busca daquela realização do sustento, mas percebo que é ela que nos edifica, não devemos nunca deixar de realizar seja lá o que for, ter uma família é sempre um motivo de lutar e conquistar, mesmo que as vezes doa ou falte coragem.
A gente envelhece, mas, no fundo, da alma haverá sempre aquela voz que diz: “Continue.”
Sebastião Vitorino Almeida
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